As infraestruturas verdes e azuis assumem hoje um papel essencial na adaptação das cidades às alterações climáticas, na promoção da biodiversidade e na qualificação ambiental do espaço urbano.
As infraestruturas verdes correspondem a uma rede planeada de espaços naturais, seminaturais e áreas verdes urbanas, concebida para desempenhar funções ecológicas, climáticas, sociais e paisagísticas. Podem incluir parques urbanos, corredores arborizados, áreas naturalizadas, zonas de biodiversidade, taludes verdes, sebes, matas urbanas, espaços verdes de proximidade e áreas permeáveis integradas no tecido urbano.


As infraestruturas azuis integram os sistemas associados à água, como linhas de água, ribeiras, zonas húmidas, charcas, bacias de retenção, jardins de chuva, valas drenantes, estruturas de retenção e contenção de cheias, diques, pequenas bacias a montante e outras soluções de drenagem urbana sustentável.


Quando articuladas, estas estruturas formam corredores verdes e azuis, capazes de ligar diferentes espaços naturais e urbanos, reforçar a conetividade ecológica, melhorar a gestão da água, reduzir os efeitos das ilhas de calor, aumentar a biodiversidade e criar espaços públicos mais saudáveis e resilientes.
Entre os projetos que podem ser desenvolvidos, destacam-se:
- Renaturalização de linhas de água;
- Recuperação de galerias ripícolas;
- Criação de parques lineares urbanos;
- Valorização de frentes ribeirinhas;
- Remoção de espécies invasoras;
- Plantação de vegetação autóctone;
- Criação de jardins de chuva;
- Implementação de bacias de retenção naturalizadas;
- Criação de charcas e soluções de retenção de água a montante;
- Recuperação de diques e estruturas de contenção hidráulica;
- Aplicação de pavimentos permeáveis;
- Criação e requalificação de espaços verdes urbanos;
- Desenvolvimento de outros sistemas de drenagem urbana sustentável.
De forma complementar, estes projetos podem integrar percursos pedonais, zonas de estadia, sinalética interpretativa, ações de sensibilização e conteúdos de educação ambiental, desde que associados à valorização ecológica, paisagística e funcional da infraestrutura verde ou azul.



A Geo21 tem vindo a desenvolver trabalhos relacionados com esta abordagem, nomeadamente em estudos de biodiversidade, valorização ambiental e paisagística, requalificação de espaços públicos, criação de espaços verdes, recuperação de frentes ribeirinhas, cartografia temática, definição de percursos interpretativos, planeamento urbano e comunicação ambiental.
Projetos como o da Reabilitação do parque municipal de Ourém, do Parque Urbano de Serra d’El-Rei, o estudo de Valorização e Gestão da Reserva Natural Local (RNL) da Foz do Almargem e do Trafal em Loulé, planos de pormenor, como o de Lagos, projetos associados a praias fluviais, ações de criação e valorização de espaços verdes evidenciam a importância de articular diagnóstico territorial, ecologia, paisagem, desenho urbano, uso público, aumento de áreas permeáveis, gestão da água e sensibilização ambiental.
No caso de intervenções associadas a linhas de água e zonas de retenção, como no nosso Projeto de Aproveitamento Hidroagrícola e Multifuncional no município do Cadaval, a valorização das infraestruturas azuis pode incluir soluções de contenção de cheias, recuperação de diques, criação de bacias naturalizadas e charcas a montante, contribuindo para a redução do risco hidráulico, a retenção temporária da água, a recarga dos solos e a melhoria ecológica dos espaços envolventes.
No âmbito do Programa Regional do Centro 2021-2027, encontra-se aberto o Aviso CENTRO2030-2026-11, dirigido à valorização ambiental e paisagística de corredores verdes em contexto urbano, com uma taxa de financiamento de 85% e candidaturas entre 6 de abril e 30 de setembro de 2026. O aviso prevê o apoio a ações de criação de infraestruturas verdes, promoção da conetividade ecológica, biodiversidade urbana e mitigação de ondas de calor, incluindo estudos, projetos, obras, sistemas de monitorização e ações de comunicação e sensibilização.
A Geo21 presta apoio aos municípios na conceção dos projetos, elaboração de estudos e peças técnicas, estruturação da candidatura, fundamentação de custos, calendarização e definição de ações de comunicação e sensibilização.
Este financiamento constitui uma oportunidade para transformar espaços urbanos desqualificados em estruturas verdes e azuis multifuncionais, promovendo cidades mais biodiversas, resilientes e preparadas para os desafios climáticos.